PORQUE TREINAR EQUILÍBRIO NAS ACADEMIAS?

0 Flares Filament.io 0 Flares ×

A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO DE PROPRIOCEPÇÃO – Treinamento do Equilíbrio na Academia.

TREINAR EQUILÍBRIO

TREINAR EQUILÍBRIO

Por: Arthur Lima Coelho
CREF: 039524-G/RJ

Por meio deste artigo procurei tirar algumas dúvidas acerca dos exercícios proprioceptivos realizados em nossa academia, realçando sua importância e esclarecendo para nossos alunos que por muitas vezes questionam o porque de realizá-los.
Esta palavra grande e complicada, está se tornando cada vez mais comum no meio das atividades físicas, mas a grande pergunta é o que é, e para que serve?
A propriocepção é uma informação da articulação para o cérebro dando consciência das condições de posicionamento articular, estático, dinâmico, mantendo assim a articulação de uma forma apropriada para cada situação. É basicamente a consciência da posição do corpo, ou os receptores de proteção das articulações do nosso corpo.
Também denominada como cinestesia, a propriocepção é o termo utilizado para nomear a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. Este tipo específico de percepção permite a manutenção do equilíbrio postural e a realização de diversas atividades práticas. Resulta da interação das fibras musculares que trabalham para manter o corpo na sua base de sustentação, de informações táteis e do sistema vestibular, localizado no ouvido interno.
Por exemplo, ao correr em solo irregular as articulações mandam informações ao cérebro dizendo quais grupos musculares devem se contrair ou relaxar de acordo com a situação imposta, assim não perde a estabilidade consequentemente diminuindo também o risco de lesão.
Os esportes em si exigem demais dos atletas, movimentos mais fortes, impactos excessivos, mudança de direção, contato físico, dentre outros, necessitando assim de treinamento proprioceptivo. Mas mesmo os não são atletas, devem realizar um trabalho de propriocepção para que possam prevenir prováveis entorses, rupturas, estiramentos e outros tipos de lesão. Já que durante o nosso dia somos desafiados constantemente por calçadas irregulares, mudanças de piso, escadas, enfim são muitas as chances de você se machucar.
O conjunto das informações dadas por esses receptores sensoriais nos permitem, por exemplo, desviar a cabeça de um galho, mesmo que não se saiba precisamente a distância segura para se passar, ou mesmo o simples fato de poder tocar os dedos do pé e o calcanhar com os olhos vendados, além de permitir atividades importantes como andar, coordenar os movimentos responsáveis pela fala, segurar e manipular objetos, manter-se em pé ou posicionar-se para realizar alguma atividade.
A propriocepção é efetiva devido à presença de receptores específicos que são sensíveis a alterações físicas, tais como variações na angulação de uma articulação, rotação da cabeça, tensão exercida sobre um músculo, e até mesmo o comprimento da fibra muscular.
Alguns dos sensores responsáveis por tais sensações são:
• Órgãos tendinosos de Golgi, que são sensíveis à tração exercida nos tendões indicando a força que está sendo exercida sobre a musculatura, impedindo lesões.
• Fuso muscular, que se divide em dois subtipos, fuso neuromuscular de bolsa, e de cadeia nuclear, sendo estes responsáveis pelo comprimento da fibra muscular no repouso(postura) e durante o movimento.
• O labirinto, também conhecido por sistema vestibular, localizado no ouvido junto à cóclea, é sensível a alterações angulares da cabeça. As alterações podem ser no sentido vertical (rotação vertical, deslocamento do queixo para cima e para baixo) ou horizontal (rotação horizontal ou lateral, deslocamento do queixo lateralmente ou seja, direita e esquerda). Este sistema também atua na identificação da posição de todo o corpo, permitindo que alguém saiba se está deitado, em pé ou em qualquer outro posicionamento espacial. Perturbações no sentido de equilíbrio podem levar a correções inadequadas, que em casos extremos podem impedir a manutenção da posição vertical, além de causar vertigem e náusea.
Os exercícios de propriocepção são fundamentalmente importantes para manter normal a cinética das articulações, podendo ser utilizados quando o indivíduo sofre um entorse de tornozelo, joelho, luxação de ombro, cirurgias de ligamentos, fraturas por estresse, fraturas, ou seja , em lesões osteomioarticulares.

OBS: SEMPRE INICIE ALGUM TIPO DE EXERCÍCIO DE PROPRIOCEPÇÃO COM A ORIENTAÇÃO DE UM PROFISSIONAL ESPECIALIZADO.

REFERENCIAS:

• Martimbianco, Ana Luiza Cabrera; Luis Otávio Polachini; Therezinha Rosane Chamlian; Danilo Masiero (2008) “Treinamento do Equilíbrio” Acta Ortopédica Brasileira, Efeitos da propriocepção no processo de reabilitação das fraturas de quadril. Vol.16 no.2 São Paulo 2008 (Brasil). Acessado a 28 de Abril de 2013
• Vilma Leni Nista-Piccolo e col. (2004) Manifestações da inteligência corporal cinestésica em situação de jogo na educação física escolar. http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/582/606.
• Hauer K, Specht N, Schuler P, Bartsch P, Oster P. Intensive physical training in geriatric patients after severe falls and hip surgery. Age Ageing. 2002; 31:49-57
• Bertollucci, LF. Cinesioterapia. In: Greve, JM, Amatuzzi, MM. Medicina de reabilitação aplicada à ortopedia e traumatologia. São Paulo: Roca; 1999. p. 59-62.
• Lehmkuhl LD, Smith LK. Cinesiologia Clínica de Brunnstrom. Tradução de Nelson Gomes de Oliveira. 4ª ed. São Paulo: Manole, 1999. p.111-33.
• Penrod JD, Boochvar KS, Litke MA, Magaziner J, Hannan EL, Halm EA. Physical therapy and mobility 2 and 6 months after hip fracture. J Am Geriatr Soc. 2004; 52:1112-20.
• Ingermasson AH, Frandim K, Hellstrom K, Rundgren A. Balance function and fall-related efficacy in patients with newly operated hip fracture. Clin Rehabil. 2000; 12:497-505.
• Ishii Y, Terajima K, Terajima S, Matsueda, M. Joint proprioception in the elderly with and without hip fracture. J Orthop Trauma. 2000; 12:542-5.
• Beer C, Giles E. Hip fracture: challenges in prevention and management. Aust Fam Physician. 2005; 34:673-6.
• Thompson KR, Mikesky AE, Bahamonde RE, Burr DB. Effects of physical training on proprioception in older women. J Musculoskelet Neuronal Interact. 2003; 3: 223-31.
• Reis FB. Fraturas. 2ª ed. São Paulo: Atheneu; 2005. p. 331-49.
• Mendelsohn ME, Overend TJ, Petrella RJ. Effect of rehabilitation on hip and knee proprioception in older adults after hip fracture: a pilot study. Am J Phys Med Rehabil. 2004; 83:624-32.
• Mangione KK, Craik RL, Tomlinson SS, Palombaro KM. Can elderly patients who have had a hip fracture perform moderate-to-high-intensity exercise at home? Phys Ther. 2005; 85:727
• Mangione KK, Palombaro KM. Exercise prescription for a patient 3 months after hip fracture. Phys Ther. 2005; 85:676-87.
• Sherrington C, Stephen RL, Herbert RD. A randomized trial of weight-bearing versus non-weight bearing exercise for improving physical ability in inpatients after hip fracture. Aust J Physiother. 2003; 49:13-22.
• Whitehead C, Miller M, Crotty M. Falls in comunity-dwelling older persons following hip fracture: impact on self-efficacy, balance and handicap. Clin Rehabil. 2003; 16:899-906.
• Ingermasson AH, Frandin K, Mellstrom D, Moller M. Walking ability and activity level after hip fracture in the elderly – a follow-up. J Rehabil Med. 2003; 35:76-83.
• Fox KM, Hawkes WG, Hebel JR, Felsenthal G, Clark M, Zimmerman SI et al. Mobility after fractures predicts health outcomes. J Am Geriatric Soc. 1998; 46:149-63

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
0 Flares Google+ 0 Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

Deixe uma resposta