QUANDO DEVO MUDAR MEU TREINO DE MUSCULAÇÃO?

1 Flares Filament.io 1 Flares ×

MUDAR O TREINO DE MUSCULAÇÃO?

Prof. Fabricio Fouraux
PÓS-GRADUADO EM ANATOMIA, BIOMECÂNICA E MEDICINA DESPORTIVA.
MESTRADO EM ASPECTOS BIOÉTICOS E JURÍDICOS DA SAÚDE.

MUDAR MEU TREINO DE MUSCULAÇÃO

 

PORQUE MUDAR O TREINO DE MUSCULAÇÃO?

O nosso corpo necessita de um treino de musculação ou qualquer outra atividade orientada para a promoção de adaptações morfológicas e funcionais (força, flexibilidade, reação, etc) e em função disso, devemos sim ter uma troca periódica de treino, porém, dentro de um prazo estabelecido de forma correta e coerente. Não se muda de treino como se troca de roupa. É preciso um tempo para a fisiologia do corpo se adaptar ao novo programa e desfrutar dos benefícios dos mesmos para ai sim elaborarmos uma nova etapa. Certos exercícios exigem maior consciência corporal, força e flexibilidade para serem executados e , dessa forma, devem ser preescritos apenas no momento correto ou corre-se o risco de lesões. No início é preciso paciência já que os exercícios mais complexos não farão parte de sua rotina de treino pois várias outras capacidades devem ser ainda exploradas afim de fortalecer toda musculatura de forma global. Ficar trocando o treino toda hora e em curtissimo espaço de tempo pode levar a lesões e a pouco desenvolvimento e aprimoramento das capacidades físicas e habilidades motoras, resultando em dificuldades maiores na concretização de um objetivo. O único objetivo alcançado com esta prática é o da animação, fazer coisas diferentes e animador, mas somente isso.

O conceito fundamental que promove a periodização baseia-se na síndrome de adaptação geral de Selye, a qual propõe que a adaptação do corpo passa por três fases quando o organismo é defrontado com uma exigência, no caso, o estímulo oferecido pelo treinamento físico. A primeira fase é conhecida como choque: quando o corpo enfrenta um novo estímulo de treinamento, a “dor” (desconforto) se desenvolve e o desempenho realmente diminui. A segunda fase é a adaptação ao estímulo: o corpo adapta-se ao novo estímulo de treinamento e o desempenho aumenta. A terceira fase é caracterizada pelo cansaço: o corpo já se adaptou ao novo estímulo, não acontecendo mais adaptações. Nessa fase, é possível que o desempenho não mude ou, no caso de muitos atletas altamente motivados, o desempenho pode diminuir pelo excesso de treino (FLECK & KRAEMER, 1999).

Como exemplo da influência da cultura grega sobre a teoria do treinamento desportivo atual, TUBINO (1984) cita a preparação dos helênicos, que se compara, em vários aspectos, ao treinamento empregado hoje, pois eles já faziam uma preparação generalizada (corridas, marchas, lutas, saltos, etc.); usavam cargas para melhoria dos rendimento; tinham preparo psicológico; utilizavam o aquecimento no início e a volta à calma acrescida de massagens no final das sessões, além de possuírem, a exemplo das concepções científicas modernas, os chamados CICLOS DE TREINAMENTO, denominados na época por tetras. No entanto, foi somente no final do século XIX, com o renascimento dos Jogos Olímpicos, que o treinamento desportivo passou de uma forma espontânea a uma estrutura mais sistemática, visando elevar o rendimento esportivo (BARBANTI, 1997).

QUAL O PERÍODO CERTO PARA MUDAR O TREINO DE MUSCULAÇÃO?

De acordo com a proposta clássica de MATVÉIEV (1986), de forma aproximada, podem-se indicar os seguintes limites para os ciclos que caracterizam a periodização do treinamento desportivo:

  1. período preparatório: de três a quatro meses (principalmente nos ciclos semestrais) e até cinco a sete meses nos ciclos anuais;
  2. período competitivo: de 1,5 a dois meses, podendo se estender até quatro ou cinco meses;
  3. período de transição: de três a quatros semanas até seis semanas.

Ainda dentro da estrutura de preparação física, segundo ZAKHAROV & GOMES (1992), convém destacar os quatro níveis de organização:

  1. macrociclo;
  2. mesociclo;
  3. microciclo;
  4. sessão de treinamento

O macrociclo, dentro da periodização do treinamento desportivo, engloba o período preparatório, o período competitivo e o período de transição. É a soma de todas as unidades de treinamento necessárias para elevar o nível de treinamento do atleta (BARBANTI, 1997).

Já o mesociclo representa o elemento da estrutura de preparação do atleta e inclui uma série de microciclos, que, por sua vez, representam o elemento de estrutura de preparação do atleta, o qual inclui uma série de sessões de treinamento ou competições orientadas para a solução das tarefas de um dado macrociclo (ZAKHAROV & GOMES, 1992).

Por fim, encontra-se a sessão de treinamento, que é a menor unidade na organização do processo de treinamento (BARBANTI, 1997). Para ZAKHAROV & GOMES (1992), a sessão de treinamento é o elemento integral de partida da estrutura de preparação do atleta e representa um sistema de exercícios que visa à solução das tarefas de um dado macrociclo da preparação do atleta.

Simplificando a teoria técnica, temos base para dizer que seu corpo independente da atividade que pratica tem por sua fisiologia o tempo mínimo para se adaptar ao estímulo de no mínimo 4 semanas, mas podendo ser de 8 a 12, tudo dependerá da sua dedicação e adaptação, assim você desenvolve o seu CONCRETO. Para mudar o estímulo muitas das vezes nem precisamos mudar o exercício em si, podemos alterar o tempo de descanso, velocidade de execução, técnicas de execução, como trabalhos isométricos, oclusão etc e somente depois de esgotar estas possibilidades mudaremos todo o programa de forma científica e consciente.

EM QUANTO TEMPO O CORPO SE ADAPTA AO TREINO DE MUSCULAÇÃO?

Um grande erro é achar que somente pelo fato de estar trocando de exercício e treinando a mesma musculatura seria o ideal, por exemplo mudar de supino reto em uma semana para supino com halteres e mais uma semana voador. Essa prática não é científica e não tem justificativa na literatura ou artigos dos pesquisadores, mas é muito motivante o que leva aos alunos criar e se viciar no erro. Treinamento é seriedade, motivação deve existir para o alcance dos resultados e no final conquistar a glória, sem uso de medicamentos, hormônios ou outras substâncias ditas como “naturais”ou “legais”.

Desta forma quando elaboramos um treino, pensamos no corpo como um todo, numa forma de atender aos objetivos pré estabelecidos por uma avaliação física e ao mesmo tempo ter a segurança de que podemos atingí-los sem o risco de nos lesionarmos. Cada exercício que está no programa tem um porquê de ali estar e da forma como executar e a técnica correta e a frequência ideal concretizada é que serão os nossos indicativos de evolução e progressão para novas etapas. O corpo precisa de um tempo pra evoluir dentro do exercício e a troca muito rápida pode fazer com que você diminua essa progressão e NÃO TENHA RESULTADO, tendo de usar outros artificios para consegui-los. Portanto, cumpra a risca o treino cuidadosamente elaborado pra você, mantenha uma frequência de pelo menos 3 vezes por semana no mínimo e treine com intensidade e disciplina pois só assim poderemos ter bons resultados e partir para novas etapas.

 

COLOQUE SEU CORPO NO LUGAR CERTO!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
1 Flares Google+ 1 Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 1 Flares ×

Deixe uma resposta