A VERDADE SOBRE ALONGAMENTO E FLEXIBILIDADE! ANTES OU DEPOIS DOS TREINOS?

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flexibilidade

INTRODUÇÃO

Olá pessoal. Depois de ser questionado tanto na academia, em cursos e através das mídias sociais, resolvi partir para pesquisa e ver como andam os falastrões de plantão. Infelizmente ou felizmente continuam com suas receitas de bolo, sem conhecimento científico embasando suas afirmativas. Lembrei do Silvio Santos, nosso grande comunicador e seu programa “TOPA TUDO POR DINHEIRO”. Acalme-se não estou aqui para denegrir a imagem de ninguém, mesmo sendo denegrido por outros. Meu intuito é simples, divulgar informação de qualidade, com base na ciência. No código de ética e no estatuto do profissional de educação física reza essa normativa, além da defesa da profissão acima de interesse pessoal ou financeiro.

Serão IV episódios falando sobre o tema alongamento e flexibilidade, embasado cientificamente, trazendo a tona os verdadeiros conceitos omitidos ou desconhecidos por muitos. Não tenho a arrogância de findar os debates sobre o tema, até porque o mesmo seria impossível, mas sim colocar no caminho certo para que possa melhorar o que é feito sem fundamento hoje em dia e pior divulgado erroneamente pelos “COPIAM E COLAM DO GOOGLE”.

 EPISÓDIO I

Além do Simples Alongamento

CONCEITOS BÁSICOS

Normalmente FLEXIBILIDADE é confundida com ALONGAMENTO, mesmo tendo relação óbvia entre eles, os dois não são a mesma coisa.

Em 1976 Mathews e Fox nasuaprimeiraedição do livro, The Physiological Basis of Physical Education and Athletics by Donald K. Mathews and Edward L. Fox, define:

“Em geral, a flexibilidade pode ser descrita como a propriedade que torna uma estrutura capaz de ser flexionada, virada, curvada e torcida sem se quebrar. Contudo, têm sido descritas duas espécies de flexibilidade, a estática e a dinâmica.”

No ano de 1989 Estélio H.M. Dantas na sua primeira edição do livro, Flexibilidade: alongamento &flexionamento, define:

“Alongamento é forma de trabalho que visa a manutenção dos níveis de flexibilidade obtidos e a realização dos movimentos de amplitude normal com o mínimo de restrição física possível.”

Assim sendo, podemos dizer que a flexibilidade é considerada uma valência física e o alongamento o meio para desenvolver esta valência, a flexibilidade.

Desta maneira temos alguns tipos e definições de flexibilidade e alongamentos, mas não seguiremos com suas definições por não ser o foco do nosso artigo. 

Reflexo de Alongamento

Os músculos estão protegidos por um mecanismo denominado reflexo de alongamento. Toda vez que estirar excessivamente as fibras musculares (seja por balanceios ou por excesso de alongamento) há a resposta do reflexo neuronal, que envia um sinal para os músculos se contraírem, o que impede que os músculos sejam lesionados. Portanto, quando você faz um alongamento desmesurado está contraindo os mesmos músculos que está querendo alongar.

 

Resposta Elástica X Resposta Plástica

Quando se alonga um músculo, ou grupo muscular, sem forçar demais sua amplitude de movimento, é gerado um afastamento do local de origem e inserção do músculo, que chamamos de alongamento. Se este alongamento ocorrer de forma suave e chegar próxima a sua amplitude articular máxima e for mantida a posição por pouco tempo, a fibras musculares se alongam e posteriormente quanto relaxada à postura essas mesmas fibras voltam a sua posição e comprimento normais. Isto é chamado de resposta elástica da musculatura.

Quando, porém o tempo de permanência na postura aumenta, e conseqüentemente tenta-se aumentar a amplitude de movimento, acaba-se gerando uma deformidade plástica na musculatura, onde as fibras perdem por algum tempo sua capacidade contrátil, sendo está situação chamada de resposta plástica da musculatura. Sendo esta resposta a mais significativa para ganhos de amplitude do arco de movimento.

Propriocepção e Controle:

O controle neuromuscular é definido como sendo a resposta eferente inconsciente para um sinal aferente em relação a estabilidade articular dinâmica. De uma perspectiva da estabilidade articular, o controle neuromuscular é definido como sendo a ativação inconsciente das restrições dinâmicas que ocorrem na preparação e na resposta do movimento articular e que têm como finalidade a manutenção e a restauração da estabilidade articular funcional. Apesar de o controle neuromuscular estar sujeito, de alguma forma, a todas as atividades motoras, não é facilmente separado dos comandos neurais controlados totalmente pelos programas motores.

Temos os proprioceptores articulares como RUFFINE E CORPÚSCULOS DE PACINI, servindo principalmente para tornar consciente a posição dos segmentos corporais, não tendo influência na flexibilidade.

Sendo assim, um dos receptores musculares que influencia no treinamento da Flexibilidade é Órgãos Tendinosos de Golgi (OTG). Estes órgãos estão próximos aos ligamentos das fibras tendíneas com as fibras musculares, e são sensíveis à tensão, operando como um medidor. Sua sensibilidade é tão grande que com estímulo de apenas uma simples fibra muscular, promove sua excitação.

Sua função primária é a sinalização da tensão muscular ativa (desenvolvida durante a contração), trabalhando na inibição do músculo através de um interneurônio de inibição (Célula Renshaw), ajustando-se às condições reais de contração muscular e proporcionando um efeito amortecedor.

O modelo esquemático para sua ação pode ser descrito:

  • Tensão Muscular(Age Sobre)OTG(Provocando)Relaxamento.

Outro mecanismo proprioceptivo é o Fuso Neuromuscular, ele avalia o grau de estiramento aplicado ao músculo, o comprimento muscular e a velocidade com que o estiramento foi realizado. (JESEN & FISHER. 1979. P.67)

O mesmo é responsável pela regulação da força aplicada para vencer uma resistência durante um movimento de um membro, garantindo que não se aplique força em demasia ou menos do que necessário.

Sua ação pode ser esquematizada da seguinte maneira:

Estiramento do Músculo(Age Sobre)Fuso Muscular(Provocando Reflexo Miotático).

INTERAÇÃO ENTRE OS MECANISMOS.

Eles interagem através de vias de feed-back influindo um sobre o outro e ambos sobre a fibra muscular.

Temos influencia direta na execução de atividades para ganho de flexibilidade, no tipo de treinamento que iremos executar. Como por exemplo, em um treino de flexibilidade com exercícios vigorosos, irá provocar um reflexo miotático na musculatura, sua diminuição com perda de elasticidade e flexibilidade. Outro exemplo após uma série de musculação o OTG foi tão estimulado e tiveram seu funcionamento inibido tantas vezes, que ao fazer um trabalho para flexibilidade, pode-se forçar a musculatura além do ponto de segurança, provocando micro e até macrotraumas.

DESTA MANEIRA ENCERRAMOS O PRIMEIRO EPISÓDIO, COM O OBJETIVO DE DEMONSTRAR QUE NÃO É TÃO FÁCIL QUANTO PARECE RESPONDER SIMPLESMENTE DE MANEIRA GERAL A PERGUNTA PROBLEMA: ALONGAR ANTES OU DEPOIS DOS TREINOS?

“COLOQUE SEU CORPO NO LUGAR CERTO!”

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